Leishmaniose canina: análise do perfil de médicos veterinários e de responsáveis de cães frente a doença
DOI:
https://doi.org/10.31533/pubvet.v20n2e1914Palavras-chave:
Cães, médicos veterinários, responsáveis por animais, saúde públicaResumo
A leishmaniose visceral canina (LVC) é uma zoonose de notificação obrigatória, transmitida principalmente por flebotomíneos do gênero Lutzomyia, especialmente Lutzomyia longipalpis. A doença representa um importante desafio para a Saúde Única, devido ao papel do cão como principal reservatório doméstico. O objetivo deste estudo foi caracterizar o atendimento médico veterinário relacionado à LVC e avaliar o conhecimento, as práticas e a percepção dos responsáveis por cães no município de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Trata-se de um estudo transversal, realizado por meio da aplicação de questionários estruturados a médicos veterinários atuantes no município e a responsáveis por cães residentes ou que buscavam atendimento veterinário na região. Foram investigados aspectos relacionados à formação profissional, aos métodos diagnósticos, às condutas terapêuticas, às práticas de notificação e às orientações preventivas, bem como ao manejo dos animais, ao uso de medidas preventivas e ao conhecimento sobre a doença, sua transmissão e seu caráter zoonótico. Os resultados demonstraram que, embora os médicos veterinários relatem conhecimento técnico e prescrição frequente de medidas preventivas, a vivência prática com casos confirmados, a notificação e o acompanhamento clínico mostraram-se limitados. Entre os responsáveis, observou-se baixo nível de informação sobre a LVC, reduzida adesão ao uso de medidas preventivas e presença de fatores que aumentam o risco de exposição ao vetor. A divergência entre as orientações referidas pelos profissionais e a percepção dos responsáveis evidencia lacunas na comunicação e na continuidade do cuidado. Conclui-se que a leishmaniose visceral canina deve ser compreendida como um problema de Saúde Única que exige integração entre prática médico-veterinária, vigilância epidemiológica e educação em saúde, sendo fundamental fortalecer a comunicação e a aplicação das diretrizes nacionais para o controle da doença.
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