Gestação gemelar associada a síndrome de desajustamento neonatal em equino
Relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.31533/pubvet.v19n08e1812Palavras-chave:
Equinos, gemelaridade, neonatologia, SDN, tratamento intensivoResumo
A gestação gemelar em éguas representa uma condição rara e indesejada na clínica reprodutiva equina, devido à elevada taxa de complicações, como aborto, natimortalidade e síndromes neonatais. O presente relato descreve o caso de uma égua da raça Mangalarga Marchador, atendida no HUVET-FUNORTE, cuja gestação gemelar evoluiu para o nascimento de dois potros com Síndrome do Desajustamento Neonatal (SDN), ambos submetidos a tratamento intensivo e com evolução clínica positiva. A gemelaridade foi diagnosticada tardiamente, apenas no momento do parto, o que impossibilitou a aplicação de técnicas de redução embrionária. Os neonatos apresentaram sintomas clássicos de SDN, como incoordenação, reflexo de sucção ausente e letargia. O protocolo terapêutico incluiu estabilização hemodinâmica, nutrição parenteral, antibioticoterapia, suporte vitamínico e monitoramento contínuo. A égua também recebeu cuidados pós-parto intensivos, incluindo lavagem uterina e administração de fármacos para recuperação do estado geral. O sucesso terapêutico obtido reforça a importância do manejo intensivo neonatal e do acompanhamento clínico especializado, mesmo diante de uma condição reprodutiva de prognóstico reservado. Conclui-se que, apesar dos riscos inerentes à gestação gemelar em equinos, é possível alcançar resultados clínicos satisfatórios com diagnóstico preciso, atuação veterinária multidisciplinar e estrutura hospitalar adequada. Este caso contribui para a literatura ao evidenciar a viabilidade de um tratamento intensivo eficaz em potros gêmeos acometidos por SDN.
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