Uso de scaffold de pele de tilápia (Oreochromis niloticus) no reparo de úlcera de córnea em Amazona aestiva
Relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.31533/pubvet.v19n06e1792Palavras-chave:
córnea, papagaio, pele de tilápiaResumo
Este estudo teve como objetivo avaliar a eficácia da matriz proteica acelular (scaffold) derivada da pele de tilápia (Oreochromis niloticus) como alternativa terapêutica no tratamento de úlcera de córnea em um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), comparando-a à terapêutica convencional. As úlceras de córnea são comuns na clínica de pequenos animais e, em casos graves, exigem intervenção cirúrgica. No entanto, as opções acessíveis e eficazes ainda são limitadas. A aplicação do scaffold, produzido com critérios rigorosos de biossegurança, foi realizada em um papagaio macho, adulto, com perda superior a 80% da espessura corneana e sem resposta a tratamentos anteriores. O procedimento envolveu anestesia geral, preparo do enxerto com antissepsia, sutura sobre a lesão e aplicação de colírios antibióticos, seguido do uso de flap da terceira pálpebra. Durante o pós-operatório, foram observadas melhoras na transparência corneana, ausência de rejeição, vascularização moderada com posterior avascularização, boa lubrificação ocular (10 mm/min), reflexo pupilar presente e pressão intraocular dentro dos padrões da espécie. O scaffold atuou como suporte até a regeneração completa do tecido, promovendo aderência adequada ao epitélio, sem sinais de infecção, inflamação ou desconforto. Após 30 dias, o papagaio apresentou cicatrização avançada, hiperemia conjuntival sem incômodos e melhora significativa na postura, mobilidade e comportamento, com retorno à alimentação normal. Os resultados indicam que o scaffold de pele de tilápia é um biomaterial altamente compatível, seguro, com boa relação custo-benefício e potencial de aplicação na medicina regenerativa veterinária, promovendo conforto e qualidade de vida aos animais. A experiência bem-sucedida neste caso reforça a viabilidade do uso desse arcabouço tecidual em outras espécies, consolidando seu papel como uma inovação promissora na oftalmologia veterinária.
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