Surto de pododermatite infecciosa em rebanho ovino na região Sul da Bahia
Relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.31533/pubvet.v19n07e1797Palavras-chave:
Bahia, cascos, ovinos, pododermatite, prevençãoResumo
O Nordeste do Brasil, especialmente a Bahia, destaca-se na criação de ovinos devido ao clima e à vegetação locais, que favorecem a adaptação desses animais. A atividade é vantajosa para pequenos produtores, pois apresenta baixo custo e facilidade de comercialização. Em 2023, a Bahia concentrou 23% do rebanho nacional de ovinos, consolidando-se como líder na produção. Contudo, doenças que afetam esses animais, como a pododermatite infecciosa, causam sérios prejuízos econômicos devido à redução no consumo de forragem, à queda no ganho de peso e à infertilidade. A pododermatite, causada por bactérias como Dichelobacter nodosus e Fusobacterium necrophorum, é uma das enfermidades mais comuns entre caprinos e ovinos. A doença provoca inflamação nos cascos, levando à claudicação intensa e podendo afetar gravemente a saúde dos animais, inclusive causando a morte. A Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB) implementou o Programa Estadual de Sanidade de Caprinos e Ovinos (PESCO) com o objetivo de controlar e erradicar essas doenças. Este artigo tem como objetivo descrever um surto de pododermatite infecciosa em um rebanho no Sul da Bahia, abordando sua etiologia, epidemiologia, patogenia, sinais clínicos e diagnóstico, além de ressaltar a importância de medidas profiláticas para o controle da enfermidade e a prevenção de perdas econômicas.
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