Bloqueio atrioventricular total na degeneração mitral em cão e limitações ecocardiográficas
Relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.31533/pubvet.v20n6e1973Palavras-chave:
Arritmia cardíaca, cão, ecocardiografia, insuficiência cardíaca congestivaResumo
O objetivo deste trabalho foi relatar um caso complexo de manejo multimodal e de incongruência diagnóstica entre diferentes métodos de imagem em uma paciente canina. Uma cadela da raça Poodle, com 13 anos de idade, foi atendida apresentando tosse seca crônica, dispneia e taquipneia, além de sopro holossistólico grau IV/VI em foco mitral e bradicardia acentuada. O exame eletrocardiográfico revelou bloqueio atrioventricular total (BAVT) de origem supra-hissiana, com frequência ventricular de 49 batimentos por minuto. Na radiografia torácica, evidenciaram-se cardiomegalia acentuada, com Vertebral Heart Score (VHS) de 12,4 vértebras, padrão alveolar pulmonar caudodorsal compatível com edema pulmonar cardiogênico e aumento da silhueta hepática. Os exames bioquímicos e a ultrassonografia abdominal confirmaram hepatopatia congestiva secundária, acompanhada de elevações acentuadas das enzimas hepáticas. Em contrapartida, o exame ecocardiográfico revelou parâmetros morfológicos dentro dos limites da normalidade, incluindo relação átrio esquerdo/aorta (AE/Ao) de 1,23 e diâmetro interno normalizado do ventrículo esquerdo em diástole (DIVEdn) de 1,87, simulando equivocadamente um estágio B1 da degeneração mixomatosa da valva mitral (DMVM), embora apresentasse fração de ejeção (85%) e fração de encurtamento (53%) hiperdinâmicas. O tratamento da insuficiência cardíaca congestiva (ICC) foi instituído com base nas diretrizes do American College of Veterinary Internal Medicine (ACVIM), utilizando torasemida (0,2 mg/kg), pimobendan (0,25 mg/kg), espironolactona (2 mg/kg) e benazepril (0,5 mg/kg), administrados a cada 12 horas, associados à terapia hepatoprotetora. Após sete dias de tratamento, a paciente apresentou remissão da tosse e normalização do padrão respiratório em repouso. Conclui-se que a bradicardia acentuada decorrente do BAVT modifica a dinâmica das pressões diastólicas e capilares, podendo mascarar os índices ecocardiográficos convencionais utilizados para avaliação do remodelamento cardíaco na DMVM. Esses achados reforçam a primazia da avaliação clínica e a necessidade de uma abordagem diagnóstica integrada e multimodal em pacientes cardiopatas complexos
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