O diagnóstico da gestão da ordenha identifica os principais riscos de higiene e infraestrutura na produção leiteira regional
DOI:
https://doi.org/10.31533/pubvet.v20n4e1944Palavras-chave:
Mastite bovina, fazenda familiar, segurança alimentar, higiene de ordenha, qualidade do leite cruResumo
A pecuária leiteira é um pilar do desenvolvimento rural e da segurança alimentar na agricultura familiar; entretanto, sua viabilidade econômica depende fortemente da qualidade do leite, frequentemente comprometida pela higiene inadequada na ordenha e pela alta prevalência de mastite bovina. Este estudo teve como objetivo avaliar as práticas de manejo da ordenha, incluindo protocolos de higiene, infraestrutura das instalações e monitoramento da saúde do rebanho, em propriedades de agricultura familiar na região do Cone Sul de Rondônia, Brasil. Quarenta pequenas e médias propriedades leiteiras foram selecionadas aleatoriamente para avaliação em seis municípios. Os dados foram coletados por meio de visitas técnicas, utilizando checklists estruturados com base na legislação federal brasileira, abrangendo procedimentos pré-ordenha, infraestrutura das instalações, práticas de ordenha e manejo pós-ordenha. A ordenha manual (65%) e o estímulo natural com o bezerro ao pé (82,5%) foram as práticas predominantes na região, enquanto apenas 17,5% das propriedades utilizavam ocitocina para estimular a ejeção do leite. Foram identificados importantes deficiências sanitárias: 85% dos produtores não realizavam desinfecção pré ou pós-dipping, e 75% não executavam o teste da caneca de fundo preto para detecção de mastite. Embora 90% das áreas de ordenha fossem cobertas, 60% não possuíam piso impermeável, favorecendo o acúmulo de matéria orgânica. Além disso, 60% dos produtores reutilizavam inadequadamente o leite de vacas doentes para alimentação animal, em vez de descartá-lo. Embora 92,5% identificassem corretamente os animais tratados, 55% desconheciam as zoonoses transmitidas pelo leite. Esses achados revelam uma lacuna crítica entre as práticas tradicionais de produção e os padrões técnicos exigidos, representando riscos para a segurança alimentar e para a competitividade do setor leiteiro regional. A melhoria da qualidade do leite nesse sistema produtivo requer assistência técnica direcionada e ajustes estruturais de baixo custo, a fim de alinhar a produção familiar aos requisitos de segurança da indústria.
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