Linfangiectasia intestinal em cão da raça Dachshund
Relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.31533/pubvet.v19n12e1879Palavras-chave:
Duodenite, hipoproteinemia, snow flakesResumo
A linfangiectasia intestinal (LI) é uma síndrome heterogênea caracterizada pela dilatação e ruptura dos vasos quilíferos, com subsequente extravasamento de conteúdos linfáticos, como proteínas, linfócitos e quilomícrons, para o lúmen intestinal. A LI pode manifestar-se de forma primária, devido a anormalidades estruturais dos vasos linfáticos decorrentes de fatores genéticos, ou de forma secundária, associada a condições que levam à obstrução do fluxo linfático. Cães das raças Yorkshire Terrier, Shar-Pei, Rottweiler e Lundehund parecem ser os mais frequentemente afetados por essa condição, enquanto o Soft-Coated Wheaten Terrier é conhecido por apresentar a forma hereditária da doença. Os cães acometidos apresentam diarreia, êmese, anorexia, emagrecimento progressivo, além de possíveis efusões cavitarias. O presente trabalho tem como objetivo descrever os aspectos clínicos, patológicos, bem como a conduta diagnóstica e terapêutica aplicada a um paciente portador de linfangiectasia intestinal. Foi atendida uma fêmea canina da raça Dachshund, de 6 anos de idade, com histórico de vômitos e diarreias recorrentes ao longo do ano. No exame físico, a paciente apresentava sarcopenia, abdômen abaulado com grande quantidade de líquido livre, dor abdominal, áreas alopecias e pelagem opaca. Exames complementares, como hemograma e bioquímica sérica, revelaram hipoproteinemia e hipertrigliceridemia. Foi realizada endoscopia digestiva alta com biópsia de fragmentos, na qual se observou mucosa marcadamente congesta e granulosa, apresentando pontilhados esbranquiçados “snow flakes”. O exame histopatológico revelou duodenite erosiva linfoplasmocítica moderada, com traços de edema e linfangiectasia moderada, multifocal. A terapia instituída baseou-se inicialmente no uso de prednisolona em dose de ataque (3 mg/kg, BID), posteriormente reduzida até a dose mínima eficaz (0,25 mg/kg a cada 72 horas), além do uso de suplementos vitamínicos e dieta hipolipídica. A partir do exposto, conclui-se que é de suma importância a obtenção de um diagnóstico conclusivo para a adequada formulação do protocolo terapêutico e, consequentemente, para a melhora clínica do paciente.
Referências
Beheregaray, W. K., Gianotti, G. C., Lamberts, M., Pavarini, S. P., Ferreira, R. R., Lacerda, L. A., & Contesini, E. A. (2018). Linfangiectasia intestinal associada à linfangite lipogranulomatosa em cão da raça Pit Bull. Acta Scientiae Veterinariae, 36(1). https://doi.org/10.22456/1679-9216.17252.
Birchard, S. J., & Sherding, R. G. (2008). Manual Saunders: Clínica de pequenos animais. In Ed. Roca (Vol. 3).
Burrows, C. F., Roger, M. B., & Sherding, R. G. (1997). Afecções do intestino delgado. In S. J. Ettinger & E. C. Feldman (Eds.), Tratado de medicina interna veterinária (pp. 1618–1705). Manole Ltda.
Cabrera, J. S., & Fernández, S. A. (2020). Uso de la endoscopia en medicina interna de pequeños animales. Basado en la evidencia científica. Revista Centro Universitário, 92, 6–21.
Gelberg, H. B. (2012). Alimentary System and peritoneum, omentum, mes¬entery, and peritoneal cavity. In J. F. Zachary, D. McGavin, & M. D. McGavin (Eds.), Pathologic Basis of Veterinary Disease (pp. 322–404). Elsevier.
Guilford, W. G. (2005). Upper gastrointestinal endoscopy. In T. C. McCarthy (Ed.), Veterinary endoscopy for the small animal practitioner (2nd ed., Vol. 1). Elsevier Sauders.
Hagiwara, M. K. Y., Iwasaki, M., & Alvarenga, J. (1984). Linfangiectasia intestinal em cão: Relato de caso clinico. Revista da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia Da Universidade de São Paulo, 21(2). https://doi.org/10.11606/issn.2318-3659.v21i2p151-156.
Ilha, M. R. S., Loretti, A. P., & Barros, C. S. L. (2004). Linfangiectasia intestinal e linfangite lipogranulomatosa em dois caninos. Ciência Rural, 34(4), 1155–1161. https://doi.org/10.1590/s0103-84782004000400029.
Jablonski, S. A. (2022). Pathophysiology, Diagnosis, and Management of Canine Intestinal Lymphangiectasia: A Comparative Review. Animals, 12(20), 2791–2022. https://doi.org/10.3390/ani12202791.
Jeremias, J. T., Carciofi, A. C., Brunetto, M. A., Nogueira, S. P., Gomes, M. O. S., & Teshima, E. (2008). Manejo nutricional e digestibilidade no quilotórax canino. Ciência Rural, 39(1), 258. https://doi.org/10.1590/s0103-84782008005000052.
Jericó, M. M., Andrade Neto, J. P., & Kogika, M. M. (2015). Tratado de medicina interna de cães e gatos. Roca Ltda.
Jubb, K. V. F., Kennedy, P. C., & Palmer, N. (2016). Pathology of Domestic Animals: Hematopoietic System; Endocrine Glands; Female Genital System; Male Genital System. Cardiovascular System (Elsevier, Ed.). Elsevier.
Kathrani, A. (2021). Dietary and nutritional approaches to the management of chronic enteropathy in dogs and cats. In Veterinary Clinics of North America - Small Animal Practice (Vol. 51, Issue 1, pp. 123–136). https://doi.org/10.1016/j.cvsm.2020.09.005.
Kull, P. A., Hess, R. S., Craig, L. E., Saunders, H. M., & Washabau, R. J. (2001). Clinical, clinicopathologic, radiographic, and ultrasonographic characteristics of intestinal lymphangiectasia in dogs: 17 cases (1996-1998). Journal of the American Veterinary Medical Association, 219(2), 197–202. https://doi.org/10.2460/javma.2001.219.197.
Louvet, A., & Denis, B. (2004). Ultrasonographic diagnosis: Small bowel lymphangiectasia in a dog. Veterinary Radiology and Ultrasound, 45(6), 565–567. https://doi.org/10.1111/j.1740-8261.2004.04097.x.
Malancus, R. N. (2021). Ultrasound and endoscopic findings in dogs with lymphangiectasia. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinaria e Zootecnia, 73(1), 49–54. https://doi.org/10.1590/1678-4162-11999.
Mattos, A. T. M. (2018). Endoscopia em cães e gatos. Estudo retrospectivo de 134 casos. Universidade Estadual de Londrina.
Nakashima, K., Hiyoshi, S., Ohno, K., Uchida, K., Goto-Koshino, Y., Maeda, S., Mizutani, N., Takeuchi, A., & Tsujimoto, H. (2015). Prognostic factors in dogs with protein-losing enteropathy. Veterinary Journal, 205(1), 28–32. https://doi.org/10.1016/j.tvjl.2015.05.001.
Okanishi, H., Yoshioka, R., Kagawa, Y., & Watari, T. (2014). The clinical efficacy of dietary fat restriction in treatment of dogs with intestinal lymphangiectasia. Journal of Veterinary Internal Medicine, 28(3), 809–817. https://doi.org/10.1111/jvim.12327.
Papich, M. G. (2012). Manual Saunders de Terapia Veterinária. Elsevier Health Sciences Brazil.
Tams, T. R. (2003). Handbook of small animal gastroenterology. Elsevier Health Sciences.
Washabau, R. J., Day, M. J., Willard, M. D., Hall, E. J., Jergens, A. E., Mansell, J., Minami, T., & Bilzer, T. W. (2010). Endoscopic, biopsy, and histopathologic guidelines for the evaluation of gastrointestinal inflammation in companion animals. Journal of Veterinary Internal Medicine, 24(1), 10–26. https://doi.org/10.1111/j.1939-1676.2009.0443.x.
Willard, M. D. (2010). Distúrbios do sistema digestório. In W. Richard, C. Nelson, & G. Couto (Eds.), Medicina Interna de Pequenos Animais. Elsevier.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Ana Luiza Gouveia Soares Gonçalves, Debora Costábile Soibelman, Júlia Maia Marques

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato
Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença. De acordo com os termos seguintes:
Atribuição
— Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso. Sem restrições adicionais
— Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.









