Distrofia muscular de origem nutricional em avestruz (Struthio camelus)
Relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.31533/pubvet.v19n10e1855Palavras-chave:
Avestruz, desnutrição, distrofia muscular, manejoResumo
A nutrição é fundamental para garantir o bem-estar animal, a qualidade de vida e o fortalecimento do sistema imunológico. Quando os animais não recebem os nutrientes necessários, seja por uma dieta inadequada ou insuficiente, podem desenvolver doenças graves. Este relato de caso tem como foco principal descrever um episódio de distrofia muscular por desnutrição em uma avestruz fêmea, ocorrido em uma propriedade rural no município de Perdões, na região sul de Minas Gerais. A avestruz, com dois anos de idade, apresentava decúbito prolongado, apesar de manter apetite normal. Os exames bioquímicos indicaram sinal característico de distrofia muscular nessa espécie. Mesmo com o início de um tratamento intensivo, que incluiu o uso de fluidoterapia, suplementação vitamínica e corticoides, houve apenas uma melhora temporária, e o animal, infelizmente, veio a óbito. Durante a necropsia, observou-se atrofia da musculatura esquelética e palidez no miocárdio, confirmando o diagnóstico de distrofia muscular. Este relato reforça a importância de um manejo nutricional adequado, do enriquecimento ambiental e do monitoramento contínuo do comportamento e da condição corporal de avestruzes mantidos em cativeiro, visando à prevenção de problemas nutricionais.
Referências
Abbas, G., & Wasin, A. S. (2018). Health and hygiene guidelines for ostriches. International Journal of Animal Husbandry and Veterinary Science, 3(3), 15–26.
Aganga, A. A., Aganga. A O, & Omphile, U. J. (2003). Ostrich feeding and nutrition. Pakistan Journal of Nutrition, 2(2), 60–67. https://doi.org/10.3923/pjn.2003.60.67.
Albuquerque, R. S., Ávila, L. G., Batista, F. A., Pupin, R. C., Lemos, R. A. A., & Araújo, M. A. (2020). Aspectos epidemiológicos e clínico-patológicos de um surto de miopatia nutricional em potros ˗ relato de caso. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, 72(4), 1386–1390. https://doi.org/10.1590/1678-4162-11363.
Avery, J. C., & Hoffmann, P. R. (2018). Selenium, selenoproteins, and immunity. Nutrients, 10, 1–20.
Baptistella, M. F. (2010). Atividade sérica das enzimas Aspartato Aminotransferase, Creatinoquinase e Lactato Desidrogenase em equinos submetidos a diferentes intensidades de exercício. Anuário da Produção de Iniciação Científica Discente, 12(13), 33–42.
Barbosa, B. B., Rebello, F. K., Santos, M. A. S., & Lopes, M. L. B. (2018). Mercado de produtos e serviços para animais silvestres de estimação no município de Belém – PA. PUBVET, 12(4), 1–7. https://doi.org/10.22256/pubvet.v12n4a78.1-7.
Batista, B. G., Rauber, J. M., & D’Azevedo, P. A. (2015). Novas cefalosporinas como alternativa no tratamento de infecções por Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA). Revista de Epidemiologia e Controle de Infecção, 5(2), 94–99. https://doi.org//10.17058/reci.v5i2.4821.
Behling, G. M., & Islas, C. A. (2014). Extensão universitária, educação ambiental e ludicidade na preservação de animais silvestres. Revista Científica Conexão, 10(1), 128–139.
Braga, J. S., Macitelli, F., Lima, V. A., & Diesel, T. (2018). O modelo dos “Cinco Domínios” do bem-estar animal aplicado em sistemas intensivos de produção de bovinos, suínos e aves. Revista Brasileira de Zoociências, 19(2), 204–226. https://doi.org/10.34019/2596-3325.2018.v19.24771.
Bueno, J. P. R., Nascimento, M. R. B. M., Martins, J. M. S., Marchini, C. F. P., Gotardo, L. R. M., Sousa, G. M. R., Mundim, A. V., Guimarães, E. C., & Rinaldi, F. P. (2017). Influência da idade e do estresse cíclico de calor no perfil bioquímico sérico em frangos de corte. Semina: Ciências Agrárias, 38(3), 1383–1392.
Câmara e Silva, I. A., Dias, R. V. C., & Soto-Blanco, B. (2007). Determinação das atividades séricas de creatina quinase, lactato desidrogenase e aspartato aminotransferase em eqüinos de diferentes categorias de atividade. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, 59(1), 250–252. https://doi.org/10.1590/S0102-09352007000100041.
Carbajo, E. (1997). Aspectos generales de la patología en avestruces. Mundo Ganadero, 85, 47–50.
Carrer, C. C., & Kornfeld, M. E. (1999). Aspectos de importância na produção racional de avestruzes (Struthio camelus). Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, 2(1). https://doi.org/10.36440/recmvz.v2i1.3378.
Cooper, R. G., & Gough, R. E. (2009). Diseases of the ostrich (Struthio camelus var. domesticus): a review. Avian Pathology, 38(3), 217–237.
Cornelius, C. E. (1961). Serum isocitric dehydrogenase (SIC-D) activities in domestic animals with experimental hepatic necrosis and in equine hepatopathy. The Cornell Veterinarian, 51(1), 559–568.
Cubas, Z. S., Silva, J. C. R., & Catão-Dias, J. L. (2014). Tratado de animais selvagens: Medicina veterinária. Roca, São Paulo.
Frandson, R. D., Wilke, W. L., & Fails, A. D. (2011). Anatomia e fisiologia dos animais de fazenda. Guanabara Koogan.
Fudge, A. M. (2000). Laboratory Medicine: Avian and Exotic Pets. Philadelphia: W.B. Saunders.
Guillin, O. M., Vindry, C., Ohlmann, T., & Chavatte, L. (2019). Selenium, selenoproteins and viral infection. Nutrients, 11(9), 2101. https://doi.org/10.3390/nu11092101.
Harr, K. E. (2002). Clinical chemistry of companion avian species: a review. Veterinary Clinical Pathology, 31(3), 140–151.
Lang, Y., Gao, N., Zang, Z., Meng, X., Lin, Y., Yang, S., Yang, Y., Jin, Z., & Li, B. (2024). Classification and antioxidant assays of polyphenols: A review. In Journal of Future Foods (Vol. 4, Issue 3, pp. 193–204). https://doi.org/10.1016/j.jfutfo.2023.07.002.
Lumeij, J.T. (1997). Avian Clinical Biochemistry. In: Kaneko et al. (Eds.), Clinical Biochemistry of Domestic Animals.
McCartney, E. (2007). Selenio, un nutriente esencial para humanos y aves. Selecciones Avícolas, 49(2), 91–120.
McDowell, L. R. (2000). Vitamins in Animal and Human Nutrition. 2. ed. Iowa State University Press.
Mushi, E. Z., Isa, J. F. W., Chabo, R. G., Binta, M. G., Nyange, J., & Modisa, L. (1998). Selenium - Vitamin E responsive myopathy in farmed ostriches (Struthio camelus) in Botswana. Avian Pathology, 27(3), 326–328. https://doi.org/10.1080/03079459808419346.
Paixão, T. A., Nascimento, E. F., Parra, P. N. S., & Santos, R. L. (2004). Aspergilose em avestruz (Struthio camelus) no Brasil. Ciência Rural, 34(2). https://doi.org/10.1590/s0103-84782004000200037.
Priano, L. P. B. S., & Ferrarezi Júnior, E. (2022). Produção e manejo de avestruzes do Brasil. Revista Interface Tecnológica, 19(1). https://doi.org/10.31510/infa.v19i1.1351.
Reece, W. O. (2008). Anatomia funcional e fisiologia dos animais domésticos. Editora Roca.
Ritchie, B. W., Harrison, G. J., & Harrison, L. R. (1994). Avian Medicine: Principles and Application. Wingers Publishing.
Rojas, P. (2014). Manual de prácticas de clínica en aves. Universidad Veracruzana, 23.
Samour, J. (2016). Avian Medicine. 3. ed. St. Louis: Elsevier.
Schrauzer, G. N., & Surai, P. F. (2009). Selenium in human and animal nutrition: resolved and unresolved issues. A partly historical treatise in commemoration of the fiftieth anniversary of the discovery of the biological essentiality of selenium, dedicated to the memory of Klaus Schwarz (1914–1. Critical Reviews in Biotechnology, 29(1), 2–9.
Silva, J. C. R., Siqueira, D. B., & Marulo, M. F. V. (2010). Ética e bem-estar em animais silvestres em Unidades de conservação. Ciência Veterinária Nos Trópicos. Recife-PE, 11(Supl 1), 61–65.
Snak, A., Lenzi, P. F., Agostini, K. M., Delgado, L. E., Montanucci, C. R., & Zabott, M. V. (2014). Análises coproparasitológicas de aves silvestres cativas. Ciência Animal Brasileira, 15(4), 502–507. https://doi.org/10.1590/1089-6891v15i425797.
Souza, J. D. S. (2005). Nutrição e alimentação de avestruzes. Revista Eletrônica Nutrime, 2(6), 284–286.
Souza, M. G., Oliveira, R. F. M., Donzele, J. L., de Assis Maia, A. P., Balbino, E. M., & Oliveira, W. P. (2011). Utilização das vitaminas C e E em rações para frangos de corte mantidos em ambiente de alta temperatura. Revista Brasileira de Zootecnia, 40(10), 2192–2198.
Spinosa, H. S. S., Górniak, S. L., & Bernardi, M. M. (2017). Farmacologia aplicada à medicina veterinária. Koogan Guanabara.
Speer, B. L. (2015). Current Therapy in Avian Medicine and Surgery. Elsevier.
Surai, P. F., Fisinin, V. I., & Karadas, F. (2016). Antioxidant systems in chick embryo development. Part 1. Vitamin E, carotenoids and selenium. Animal Nutrition, 2(1), 1–11. https://doi.org/10.1016/j.aninu.2016.01.001.
Surai, P. F. (2002). Natural Antioxidants in Avian Nutrition and Reproduction. Nottingham: Nottingham University Press.
Suzuki, H., Kume, A., & Herbas, M. S. (2018). Potential of vitamin E deficiency, induced by inhibition of α-tocopherol efflux, in murine malaria infection. International Journal of Molecular Sciences, 20(1), 64. https://doi.org/10.3390/ijms20010064.
Tully, J. R., Dorrestein, G. M., & Jones, A. K. (2010). Cliníca de aves (2a ed.). Elsevier Editora Ltda.
Ullrey, D. E., & Allen, M. E. (1996). Nutrition and feeding of ostriches. Animal Feed Science and Technology, 59(1-3 SPEC. ISS.). https://doi.org/10.1016/0377-8401(95)00884-5.
Verstappen FA, Lumeij JT, Bronneberg RG. Plasma chemistry reference values in ostriches. J Wildl Dis. 2002 Jan;38(1):154-9. doi: 10.7589/0090-3558-38.1.154. PMID: 11838206.
Yao, L., Du, Q., Yao, H., Zhang, Z., & Xu, S. (2015). Role of oxidative stress and endoplasmatic reticulum stress in selenium deficiency-induced apoptosis in chicken liver. Biometals, 28, 255–265. https://doi.org/10.1007/s10534-014-9819-3.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2025 Rafaella D’ávila Milioreli Araújo, Luana Martins Machado Mattoso, Júlio César Vale de Andrade, Arthur Silva Ramos, Nelson Henrique de Almeida Curi

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato
Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença. De acordo com os termos seguintes:
Atribuição
— Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso. Sem restrições adicionais
— Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.









