Doença mixomatosa da valva mitral em canino
Relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.31533/pubvet.v19n09e1840Palavras-chave:
Cardiologia veterinária, clínica médica, tratamento, estadiamentoResumo
A Doença Mixomatosa da Valva Mitral (DMVM) é a cardiopatia adquirida mais comum em cães, caracterizada por degeneração mixomatosa da valva mitral, que leva à regurgitação mitral crônica, sobrecarga de volume e, nos estágios mais avançados, à insuficiência cardíaca congestiva. Considerando sua elevada prevalência e o impacto clínico em pacientes geriátricos, este trabalho teve como objetivo relatar um caso de DMVM em um cão idoso, correlacionando os achados clínicos, laboratoriais, ecocardiográficos, a classificação da doença e a resposta terapêutica ao protocolo instituído. Foi atendido um cão macho, sem raça definida, com 14 anos de idade e 5,6 kg, apresentando tosse seca noturna, cianose, dispneia e intolerância ao exercício. O exame físico revelou sopro sistólico grau IV em foco mitral, frêmito cardíaco e cianose de mucosas. A ecocardiografia identificou espessamento da valva mitral com prolapso de folheto, dilatação atrial esquerda, disfunção diastólica e função sistólica preservada, confirmando o diagnóstico de DMVM com repercussão hemodinâmica, sendo o paciente classificado no estágio C, conforme as diretrizes do ACVIM. O tratamento inicial incluiu furosemida, butorfanol, oxigenoterapia e pimobendan, seguido por terapia contínua com pimobendan, torasemida e suplementação com ômega-3. Os exames laboratoriais revelaram alterações compatíveis com insuficiência cardíaca, como ureia elevada, hipertrigliceridemia e discreta hemoconcentração. O conjunto dos achados clínicos, laboratoriais e ecocardiográficos foi compatível com os efeitos sistêmicos e progressivos da DVM em estágio C. A resposta clínica ao tratamento foi satisfatória, com regressão dos sinais respiratórios, estabilização do quadro e melhora da tolerância ao exercício. Conclui-se que o reconhecimento precoce dos sinais clínicos e a estratificação adequada da doença são fundamentais para a escolha terapêutica assertiva. O manejo clínico, baseado nas diretrizes atuais, demonstrou eficácia no controle sintomático, contribuindo para a preservação da qualidade de vida em pacientes cardiopatas geriátricos.
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