Avaliação do bem-estar e impactos causados pelos equipamentos utilizados em animais de rodeio

Autores

  • Nathalya Silveira Santos Centro Universitário Vértice - Univértix https://orcid.org/0009-0006-3584-5400
  • Dra. Vanessa Lopes Dias Queiroz Centro Universitário Vértice - Univértix

DOI:

https://doi.org/10.31533/pubvet.v19n08e1822

Palavras-chave:

Bem-estar, cortisol, rodeio, estresse

Resumo

O rodeio, enquanto prática de relevância cultural, esportiva e econômica, suscita debates sobre seu impacto no bem-estar animal, especialmente em relação aos equipamentos utilizados. Assim, este estudo correlacionou comportamento e dosagem de cortisol com o estresse em touros submetidos ao uso do sedém, corda americana e esporas, analisando parâmetros fisiológicos e comportamentais associados ao estresse. A metodologia incluiu a divisão de dez animais em dois grupos: um submetido apenas ao uso dos equipamentos, com avaliação comportamental, e outro submetido à montaria completa e à coleta de sangue para dosagem de cortisol nos momentos pré e pós-montaria.Os resultados comportamentais mostraram que os animais expostos apenas aos equipamentos permaneceram tranquilos, sem sinais de agitação, mantendo-se em atividades habituais. O grupo submetido à montaria apresentou aumento não significativo nos níveis séricos de cortisol. No presente contexto, observou-se que o uso dos equipamentos (sedém, espora e corda americana) não provocou alterações comportamentais nos animais, assim como não houve diferença significativa em relação à mensuração sérica de cortisol pré e pós montaria. Dessa forma, quando os rodeios são realizados dentro dos parâmetros técnicos e legais estabelecidos e fiscalizados, não há interferência no bem-estar animal, sendo possível conciliar a manifestação cultural com o respeito aos animais atletas.

Referências

ABRT. (2015). Manual de Conduta da ABTR – Associação Brasileira de Criadores de Touros de Rodeio.

Arnaldi, G., Angeli, A., Atkinson, A. B., Bertagna, X., Cavagnini, F., Chrousos, G. P., Fava, G. A., Findling, J. W., Gaillard, R. C., & Grossman, A. B. (2003). Diagnosis and complications of Cushing’s syndrome: a consensus statement. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 88(12), 5593–5602. https://doi.org/10.1210/jc.2003-030871.

Azevedo, H. H. F., Pacheco, A., Pires, A. P., Mendonça Neto, J. S. N., Pena, D. A. G., Galvão, A. T., Ferrari, E. D. M., Almeida, B. V. B. F., Batista, T. V. L. O., Araújo, C. F., & Batista, W. L. O. (2020). Bem-estar e suas perspectivas na produção animal. PUBVET, 14(1), 1–5. https://doi.org/10.31533/pubvet.v14n1a481.1-5.

Barr, S. C., & Bowman, D. D. (2011). Blackwell’s five-minute veterinary consult clinical companion: Canine and feline infectious diseases and parasitology. John Wiley & Sons.

Barsnick, R. J., & Toribio, R. E. (2011). Endocrinology of the equine neonate energy metabolism in health and critical illness. Veterinary Clinics: Equine Practice, 27(1), 49–58. https://doi.org/10.1016/j.cveq.2010.12.001.

Björntorp, P. (2001). Do stress reactions cause abdominal obesity and comorbidities? Obesity Reviews, 2(2), 73–86. https://doi.org/10.1046/j.1467-789x.2001.00027.x.

Boissy, A. (1995). Fear and fearfulness in animals. The Quarterly Review of Biology, 70(2), 165–191. https://doi.org/10.1086/418981.

Boissy, A., Aubert, A., Désiré, L., Greiveldinger, L., Delval, E., & Veissier, I. (2011). Cognitive sciences to relate ear postures to emotions in sheep. Animal Welfare, 20(1), 47–56. https://doi.org/10.1017/s0962728600002426.

Boissy, A., Fisher, A. D., Bouix, J., Hinch, G. N., & Le Neindre, P. (2005). Genetics of fear in ruminant livestock. Livestock Production Science, 93(1), 23–32. https://doi.org/10.1016/j.livprodsci.2004.11.003.

Brambell, F. W. R. (1965). Report of the technical committee of enquiry into the welfare of livestock kept under intensive conditions; HMSO (1st ed., Vol. 1).

BRASIL. (2002). Lei no 10.519, de 17 de julho de 2002. Dispõe sobre a promoção e a fiscalização da defesa sanitária animal quando da realização de rodeio e dá outras providências.

Broom, D. M., & Fraser, A. F. (2010). Comportamento e bem-estar de animais domésticos. Editora Manole.

Caso, J., Leza, J., & Menchen, L. (2008). The effects of physical and psychological stress on the gastrointestinal tract: Lessons from animal models. Current Molecular Medicine, 8(4), 299–312. https://doi.org/10.2174/156652408784533751.

Chrousos, G. P. (2009). Stress and disorders of the stress system. Nature Reviews Endocrinology, 5(7), 374–381. https://doi.org/10.1038/nrendo.2009.106.

CNAR. (2025). Confederação Nacional de Rodeio - Normas e diretrizes.

Cunha, E. (2020). Emoções e estresse de animais. Universidade Federal do Paraná.

Dantzer, R., & Mormède, P. (1985). Stress in domestic animals: a psychoneuroendocrine approach. In Animal Stress (pp. 81–95). Springer.

Dawkins, M. S. (2004). Using behaviour to assess animal welfare. Animal Welfare, 13(SUPPL.), S3–S7. https://doi.org/10.1017/s0962728600014317.

Dawkins, M. S. (2017). Animal welfare and efficient farming: is conflict inevitable? Animal Production Science, 57(2), 201–208.

Dhabhar, F. S. (2009). Enhancing versus suppressive effects of stress on immune function: Implications for immunoprotection and immunopathology. NeuroImmunoModulation, 16(5), 300–317. https://doi.org/10.1159/000216188.

Dukes, H. H. (1978). Fisiologia de los animais domesticos. Aquilar.

Fam, A. L. P. D., Rocha, R. M. V. M., Pimpão, C. T., & Andrade Cruz, M. (2010). Alterações no leucograma de felinos domésticos (Felis catus) decorrentes de estresse agudo e crônico. Revista Acadêmica: Ciência Agrárias e Ambientais, 8(3), 299–306.

FAWC. (2009). Farm animal welfare in Great Britain: Past, present and future. Farm Animal Welfare Council.

Fraser, D. (2009). Animal behaviour, animal welfare and the scientific study of affect. Applied Animal Behaviour Science, 118(3–4), 108–117. https: doi.org/10.1016/j.applanim.2009.02.020

Graham, L. H., & Brown, J. L. (1996). Cortisol metabolism in the domestic cat and implications for non‐invasive monitoring of adrenocortical function in endangered felids. Zoo Biology: Published in Affiliation with the American Zoo and Aquarium Association, 15(1), 71–82.

Greco, D. S., & Davidson, A. P. (2017). Blackwell’s five-minute veterinary consult clinical companion: Small animal endocrinology and reproduction. John Wiley & Sons.

Guyton, A. C., & Hall, J. E. (2021). Tratado de fisiologia médica. Elsevier Brasil.

Hultgren, J., Segerkvist, K. A., Berg, C., Karlsson, A. H., & Algers, B. (2020). Animal handling and stress-related behaviour at mobile slaughter of cattle. Preventive Veterinary Medicine, 177, 104959. https://doi.org/10.1016/j.prevetmed.2020.104959.

Ivemeyer, S., Simantke, C., Ebinghaus, A., Poulsen, P. H., Sorensen, J. T., Rousing, T., Palme, R., & Knierim, U. (2018). Herd-level associations between human–animal relationship, management, fecal cortisol metabolites, and udder health of organic dairy cows. Journal of Dairy Science, 101(8), 7361–7374. https://doi.org/10.3168/jds.2017-13912.

Janis, I. L. (2016). Psychological stress: Psychoanalytic and behavioral studies of surgical patients. American Sociological Review, 24(3). https://doi.org/10.2307/2089417.

Karaer, M. C., Čebulj-Kadunc, N., & Snoj, T. (2023). Stress in wildlife: Comparison of the stress response among domestic, captive, and free-ranging animals. Frontiers in Veterinary Science, 10. https://doi.org/10.3389/fvets.2023.1167016.

Kukul, M. H. (2017). Maus tratos aos animais: A análise da constitucionalidade das festas de rodeio. Contribuiciones a las Ciencias Sociales, 1.

Lawson, A. L., Opie, R. R., Stevens, K. B., Knowles, E. J., & Mair, T. S. (2020). Application of an equine composite pain scale and its association with plasma adrenocorticotropic hormone concentrations and serum cortisol concentrations in horses with colic. Equine Veterinary Education, 32(S11). https://doi.org/10.1111/eve.13143

Leal, B. B., Alves, G. E. S., Douglas, R. H., Bringel, B., Young, R. J., Haddad, J. P. A., Viana, W. S., & Faleiros, R. R. (2011). Cortisol circadian rhythm ratio: A simple method to detect stressed horses at higher risk of colic? Journal of Equine Veterinary Science, 31(4). https://doi.org/10.1016/j.jevs.2011.02.005.

Leira, M. H., Colsani, G. C., Botelho, H. A., Barreto, B. B., Santos, H. C. A. S., & Reghim, L. S. (2018). Relação homem versus touro nas arenas de rodeio. PUBVET, 12(8), 1–8. https://doi.org/10.31533/pubvet.v12n8a141.1-8.

Leira, M. H., Gonçalves, P., Pereira, S., Reghim, S., Paula, A., Caixeta, D. T., Patrocínio, J., Souza, M., Ribeiro, D., & Amorim, C. (2018). Touros de rodeio e seu bem-estar. PUBVET, 12(1), 1–11.

Leira, M. H., Reghim, L. S., Cunha, L. T., Ortiz, L. S., Paiva, C. O., Botelho, H. A., Ciacci, L. S., Braz, M. S., & Dias, N. P. P. (2017). Bem-estar dos animais nos zoológicos e a bioética ambiental. PUBVET, 11, 545–553. https://doi.org/10.22256/pubvet.v6n11.545-553.

Leira, M. H., Reghim, L. S., Peregrino, L. C., Honda, C. N., Félix, J. I. C., Silva, F., Almeida, F. D. C., & Cunha, L. T. (2017). A origem do rodeio no Brasil sua prática como esporte radical e o bem-estar dos animais de montaria. PUBVET, 11(3), 207–216. https://doi.org/10.22256/pubvet.v11n3.207-216.

Mason, G., Clubb, R., Latham, N., & Vickery, S. (2007). Why and how should we use environmental enrichment to tackle stereotypic behaviour? Applied Animal Behaviour Science, 102(3–4), 163–188. https://doi.org/10.1016/j.applanim.2006.05.041.

Maziero, R. D., Martin, I., Mattos, M. C. C., & Ferreira, J. C. P. (2012). Avaliação das concentrações plasmáticas de cortisol e progesterona em vacas Nelore (Bos taurus indicus) submetidas a manejo diário ou manejo semanal. Veterinária e Zootecnia, 19(3), 366–372.

McEwen, B. S. (2000). Allostasis and allostatic load: Implications for neuropsychopharmacology. Neuropsychopharmacology, 22(2). https://doi.org/10.1016/S0893-133X(99)00129-3

Melo, A. F., Moreira, J. M., Ataídes, D. S., Guimarães, A. M., Loiola, J. L., & Sardinha, H. C. (2016). Revision Effects of stress in thermal cows milk production: Review. PUBVET, 10(10), 721–730.

Moberg, G. P., & Mench, J. A. (2000). The biology of animal stress: Basic principles and implications for animal welfare. CABI.

Mobiglia, A. M., Camilo, F. R., & Fernandes, J. J. R. (2014). Mensuração de metabólitos de cortisol nas fezes como um indicador de estresse em bovino de corte. Archivos de Zootecnia, 63(241), 1–9. https://doi.org/10.21071/az.v63i241.587.

Oliveira, V. J., Navasquez, L. M. L., Gomes, W. R. V., & Pereira, D. A. (2022). Bem-estar animal no contexto da cadeia produtiva de alimentos. PUBVET, 16(Sup. 1), 1–6. https://doi.org/10.31533/pubvet.v16Sup1.a1319.1-6.

Paixão, M. M., Zanini, G. M., Ananias, A. S., Delchiaro, S. B., Atique Neto, H., & González, S. M. (2021). Correlação entre cortisol e testosterona em touros atletas submetidos a treinamento. Revista Brasileira de Reprodução Animal, 45(2), 75–81. https://doi.org/10.21451/1809-3000.rbra2021.009.

Pereira, A. F. A. A., Conceição, D. R., Souza, I. C., AraújoCavalcante, L. A. S., & Brito, A. P. A. (2018). Relação entre o hormônio cortisol e a síndrome metabólica. Seminário Estudantil de Produção Acadêmica, 17, 79–91.

Pisa, J. P. N., Tacito, J. L. C., & Leme, D. P. (2019). A arte como instrumento de ensino de bem-estar animal. PUBVET, 13(7), 1–8. https://doi.org/10.31533/pubvet.v13n7a378.1-8

Reisa, R. C. S., Sousa, S. L. G., Oliveira, R. V, Ramos, J. P. F., Andradde, L. L. R., Neves, S. D. O., Perez, V. M. C. F., Alves, J. S., Verçoca, L. L. D., & Oliveira, K. R. (2023). Bubalinocultura leiteira e o bem-estar animal. PUBVET, 23(1), 1–7. https://doi.org/10.31533/pubvet.v17n01a1328.

Rojas, N. M. D., & Diniz, N. M. (2019). Você tem medo de que? Evolução biológica, medo e sociedade. Revista Brasileira de Bioética, 14(edsup). https://doi.org/10.26512/rbb.v14iedsup.26842.

Rosa, J. P. (2003). Endocrinologia do estresse e importância no bem-estar animal. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Rueda, P. M., Sant’Anna, A. C., Valente, T. S., & Paranhos da Costa, M. J. R. (2015). Impact of the temperament of Nellore cows on the quality of handling and pregnancy rates in fixed-time artificial insemination. Livestock Science, 177, 189–195. https://doi.org/10.1016/j.livsci.2015.04.021.

Sánchez-Valle, V., Chavez-Tapia, N. C., Uribe, M., & Méndez-Sánchez, N. (2012). Role of oxidative stress and molecular changes in liver fibrosis: a review. Current Medicinal Chemistry, 19(28), 4850–4860.

Santos, A. L. Q., Rodrigues, T. C. S., D’Aparecida, N. S., Silva Júnior, O. T., Moraes, F. M., Moreira, M. R., & Massuda, P. (2015). Efeito dos equipamentos utilizados em touros de rodeio. PUBVET, 5(24). https://doi.org/10.22256/pubvet.v5n24.1156.

Sapolsky, R. M. (2000). Glucocorticoids and hippocampal atrophy in neuropsychiatric disorders. Archives of General Psychiatry, 57(10), 925–935. https://doi.org/10.1001/archpsyc.57.10.925.

Schram, P. T., & Moya, C. F. (2023). Bem-estar animal na ovinocultura no Brasil: Revisão. PUBVET, 17(1), 1–5. https://doi.org/10.31533/pubvet.v17n01a1332.

Serra, R., Tubino, M., & Novaes, J. (2003). O rodeio como uma manifestação esportiva de identidade cultural do interior de São Paulo. Fitness & Performance Journal, 2(6), 341–346. https://doi.org/10.3900/fpj.2.6.341.p.

Simon, V., Zago, L., Magalhães, D. R., Levrino, G. A. M., Sañudo, C., & Kirinus, J. K. (2018). O rodeio como uma prática esportiva de identidade cultural na região Sul do Brasil. PUBVET, 12(11), 1–6. https://doi.org/10.31533/pubvet.v12n11a201.1-6

Vasconcelos, O. T., Alessi, A. C., Esper, C. R., & Franceschin, P. H. (2000). Avaliação técnico-científica da utilização do sedém em bovinos de rodeio. Revista de Educação Continuada Em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, 3(2), 72–77. https://doi.org/10.36440/recmvz.v3i2.3370.

Veissier, I., & Boissy, A. (2007). Stress and welfare: Two complementary concepts that are intrinsically related to the animal’s point of view. Physiology & Behavior, 92(3), 429–433. https://doi.org/10.1016/j.physbeh.2006.11.008.

Vianna, L. R., Gonçalves, B. A. L., & Andrade, C. C. (2022). Bem-estar animal e medicinas integrativas. PUBVET, 16(Supl. 1), 1–5. https://doi.org/10.31533/pubvet.v16nsupl.a1301.1-5.

Wen, B. M. (1998). Stress, adaptation, and disease allostasis and allostatic load. Annals of the New York Academy of Sciences, 840. https://doi.org/10.1111/j.1749-6632.1998.tb09546.x.

Wiepkema, P. R. (1987). Behavioural aspects of stress. In P. R. Wiepkema & P. W. M. Van Adrichem (Eds.), Biology of stress in farm animals: an integrative approach (pp. 113–133). Martins Nijhoff Publishers. https://doi.org/10.1007/978-94-009-3339-2_9.

Downloads

Publicado

31-08-2025

Edição

Seção

Bem-estar e comportamento animal

Como Citar

1.
Silveira Santos N, Queiroz VLD. Avaliação do bem-estar e impactos causados pelos equipamentos utilizados em animais de rodeio. Pubvet [Internet]. 31º de agosto de 2025 [citado 23º de abril de 2026];19(08):e1822. Disponível em: https://ojs.pubvet.com.br/index.php/revista/article/view/4230